domingo, 24 de abril de 2022

Das maravilhas de viajar

            Em 2019 estive com meu marido em Buenos Aires, uma cidade bacana, cheia de lugares bonitos e interessantes para conhecer. Além disso, sempre gosto de interagir com outros viajantes, há um ganho cultural e pessoal nessas conversas.  Gosto de gente. Essa é a questão. E me sinto muito feliz em fazer novas amizades, mesmo que sejam pontuais e temporárias como numa viagem. 

           Fui visitar a Floralis Generica, uma escultura linda que fica na Plaza de las Naciones Unidas, no bairro da Recoleta, ponto turístico imperdível em Buenos Aires. A escultura em formato de flor metálica abre e fecha suas pétalas conforme a claridade do dia. 

            Ao chegar na praça onde ela está lindamente exposta, era à tardinha, um pouco frio e não tinha muita gente ali, o que era uma grande vantagem, já que lugares turísticos costumam estar cheios de pessoas querendo clicar o seu momento. Naquele dia, a Floralis estava quase que só para nós. 

          Entretanto, viajar só o casal não permite tirar belas fotos dos dois, no máximo selfies. Assim, quando vejo um casal por perto, já me aproximo e me ofereço para tirar fotos deles e eles tirarem de nós. Uma troca de gentilezas. 

           Nesse dia vejo um casal jovem também se aproximando da escultura e já me ofereço para tirar fotos deles. Me dirigi à mulher, como é mais costumeiro, já que em geral somos nós, as mulheres, que gostamos mais de fotografar e se fotografar. Estranhei um pouco quando ela passou o meu celular para o marido fazer as fotos, imaginei que ela não gostasse muito de fotografar. Mas ele foi muito dedicado àquelas fotos, sugeriu onde devíamos ficar, aguardou os pássaros passarem por trás da foto, foi muito disponível. 

           Quando ele me devolveu o celular e vi as fotos, dei pulos de alegria, estavam incríveis, maravilhosas. A perspectiva das fotos fizeram toda a diferença. Espontaneamente agradeci, elogiei, sorri muito. É nesse momento que a mulher fala bem orgulhosa do marido: - Ele é fotógrafo. 

             Presentes que ganhamos com as interações em viagens. Eles eram de São Paulo e aquele era um feriado no Estado, conversamos um pouco, mas infelizmente não peguei o contato deles. Foram muito autênticos na breve amizade. De toda forma, esse momento especial está guardado no coração.


Natal, 24/04/2022. 

Polyana Pimenta. 



Ps. Estava recordando desse momento esses dias quando contava para os meus pais. Assim, resolvi escrever porque essa é uma história que não pode ficar esquecida. São os momentos felizes que fazem a vida valer a pena e nos encorajam a enfrentar o dia a dia.


                        


domingo, 21 de fevereiro de 2021

A causa da briga do sol com o mar

         Vocês sabiam que há muito tempo atrás o sol e o mar eram muito amigos? Querem saber por que eles começaram a brigar? Pois bem, vou contar. 

           Antigamente o sol vivia muito sozinho, não havia ainda passado por um eclipse com a lua, pois não a conhecia e nem muito menos se atraia pela lua. Mas acontece que ele não tinha nenhuma namorada. Assim resolveu passar perto da lua para dar uma olhadinha e ver se ela era tão atraente como diziam. 

              A lua como era muito convencida, achou que poderia namorar com o sol e assim se esquecera que havia marcado um encontro com o mar, no dia em que ele, o mar, teria tomado coragem para pedi-la em casamento. 

            Então o sol percebeu que a lua era muito bonita. Na mesma hora, o mar estava esperando que a lua fosse ao seu encontro. 

           Quando amanheceu, a lua estava descansando, pois passara a noite farreando com o sol. Naquela noite, os habitantes da terra ficaram com medo, pois nunca tinham visto um eclipse. Quando a lua estava muito cansada, lembrou-se que havia marcado um encontro com o mar. 

          Na outra noite, a lua foi de encontro com o mar e ele a pediu em casamento. Claro, a lua aceitou. Sabem como seria? A terra seria a madrinha e marte o padrinho, mercúrio seria o padre, vênus o valete de honra e os demais seriam os convidados. Em sua órbita, não havia necessidade de Igreja. 

            No outro dia...

            O mar falou para o sol: - Sol, irei me casar. Quero que presencie meu casamento. 

            O sol respondeu: - Também quero convidar-lhe para o meu casamento. 

            Novamente o mar: - Claro, respondeu. Com quem será?

            - Com a d. Lua e você? Respondeu o sol. 

            - Seu traidor! Acusou o mar. E jogando uma grande onda tentou apagar o sol. - Como pode trair seu próprio amigo. 

            - Não sabia. Ponderou o sol. E aumentando o calor para promover a evaporação, levou parte da água do mar. - A lua vai se casar comigo. 

            Novamente o mar mostrou outra arma: - Você não poderá se casar com a d. Lua, pois ela não aguentará se chegares perto dela com o seu calor. 

            O sol retribuiu: - Não é lógico você casar com a lua, pois não és tão alto para alcançá-la.

            E assim eles foram brigando... Ficaram com tanta raiva que até hoje ainda brigam. Por isso que o mar produz aquelas ondas imensas procurando apagar o sol. E o sol faz evaporar as águas do mar tentando secá-lo. 

            Quando o sol tem muita água, forma-se as nuvens e chove. Quando tem demais, formam-se as tempestades. 

               A lua ficou sozinha e provocou uma briga eterna. 



Texto escrito aos 11 anos. 

Polyana Pimenta.            

        

SEM MEDIDA

 

Fugindo da Métrica devida

Passei a vida plena a bailar

Curiosa acerca da regra

Sem querer de fato me aproximar

 

Criar trêfegos versos sem medir

Espalha-se a maior vocação

As palavras paridas sem contas

Brindam a fluente inspiração

 

Persegui lépida a rima tocar

Rigidez agoniada a entoar

Indolente medida enfim insuflada

 

Descortina-se então possível e distante

Encontrar as rimas planejadas

Palavras contidas então confessadas.


Polyana Pimenta

Natal, 20/02/2021

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Uma Orquídea

 

    Em meados de setembro

    Com perfumes e cores

    Na explosão da primavera

    Nascem lindas as flores

     

    Única em sua presença

    Vive em quase qualquer lugar

    Mas o gelo e a frieza

    Não consegue habitar

 

    De uma ternura resplandescente

    Os galhos e troncos envolve

    Se enche de vigor e cores

    E as rosas devolve

 

    É essa uma orquídea 

    Sensível, exuberante e rara

    Transforma a aridez onde vive

    Numa floresta encantada.

 

    Natal, 10 de Setembro de 2020.

 

    Poema escrito para presentear a amiga Ieda, a qual faz aniversário na chegada da primavera.


quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Ruínas

 Construo um coração novo

 Sobre as ruínas de um amor antigo

 E esse amor bem escondido

 Vai continuar em meu coração


 Saí na chuva

 Entreguei-me ao vento

 Mas só silêncio 

 Pude encontrar


 Abafei o sentimento

 Busquei um novo aconchego

 Mas o sossego 

 Não pude achar


Quanto mais me negava

Mais a paixão ardia

Sem querer eu cedia

E voltava a te lembrar


 Encontrei a solidão

 Chorei por não me livrar dela

 Foi então que cheguei-me à janela

 E pude observar


 As pessoas são tão paranoicas

 Não cabe a elas julgar

 Se tudo o que queremos é amar

 E encontrar felicidade


 E que embora não admitam

 Que eu ainda consiga te amar assim

 Sei que isso só diz respeito a mim

 E a mais ninguém


 Além do mais

 Melhor do que lutar contra mim mesma

 É ter a certeza

 Que embora te amando


 Posso amar mais alguém

 Pois já não mais me perturba

 A sua ausência escura

 Pois você brilha em meu coração


Natal 05-94

Polyana Pimenta

 

terça-feira, 14 de julho de 2020

Sentir o mundo

        Em 1991, numa quarta-feira, no dia 16 do mês primeiro, já era 21:40 quando meu diário me viu muito aflita a escrever sobre uma guerra que começava.  Escrevi com muita emoção e, quando fui ler recentemente, me impactei com o que havia escrito. A empatia com os povos sempre me arrebatou. 
         Àquela época eu tinha 16 anos e já encarava as notícias com muita preocupação.
       Vivendo esse tempo de isolamento social, cercados por uma Pandemia ainda sem previsão de fim, confinada em casa com minha família, transborda saudades de tudo e de todos. Ando nostálgica e saudosista, tendo revisitados meus escritos antigos, ocasião em que me deparei com esse escrito no meu diário. 
           Passo a transcrever. 

             "16-01-1991

Quarta-feira
  21:40

        O que se esperava aconteceu.
        Começou o bombardeio no Iraque e Kwait. 
        Era 3:00 da madrugada e muitos lá deviam estar dormindo.
        Os EUA atacaram no escuro. Eles contam com um grande trunfo: a tecnologia. 
        Lá no deserto está havendo - como falam - A Tempestade. Fizeram chover bombas.
        Nessa tensão toda, passa um avião aqui e meu coração ficou elétrico. 
       Estou muito abalada. Sem dúvida nunca vou me esquecer do que aconteceu hoje. De repente eu estou no quarto de meus pais e interrompem a novela para um plantão. Não pensava que fosse o começo de uma guerra. Estava acostumada a plantões só darem notícias de acordos e negociações. Mas, dessa vez foi diferente. Foi uma frase de impacto:
          `Começa o bombardeio no Iraque, em Bagdá.´
          Foi como se tivessem chegado para mim e dito friamente que um parente meu tinha morrido.
         Mais tarde a TV transmite a ligação de um repórter americano que se encontra no Iraque e os sons da guerra. HORRÍVEL.
          Ainda não acredito. Parece um filme. Talvez um dia essa guerra fará apenas parte da História, mas bem que eu gostaria que se voltasse atrás. Pois, hoje provavelmente acabaram-se as esperanças de alguns homens. ".

             Como esse dia que eu relatei, onde a guerra venceu paz, certamente "nunca vou me esquecer" desses últimos dias, onde a humanidade ficou de joelhos por um ente microscópico que sequer é ser vivo. 
             Tempo em que a humanidade foi chamada a compreender que o que afeta o irmão também me toca. 
           Destaco que ainda sinto "como se fosse um parente" mesmo que a tragédia seja em distantes locais do mundo e com pessoas desconhecidas. Somos uma irmandade, a humanidade. 
             Não podemos deixar os fatos como "apenas parte da História", precisamos aprender com eles, evoluir, desenvolver amor e empatia. 
             Por fim, estamos num momento que também "Parece um filme", não podemos nos acostumar com o fim das "esperanças de alguns homens". A dor do outro importa.  

Polyana Pimenta
        

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Expansão em Fluidez

Polyana Pimenta

A vibração inquieta
O momento é de limite
Quadrado o espaço
Inspiração num clique

Balanço de uma rede
Danço no mesmo luar
Pelúcias são plateia
As ideias a fervilhar

Displicência ao desviar
Dos móveis e batentes
Giro no mesmo eixo
Só não se pode parar

Numa bolha contida
Alargo a emoção
A fluidez se achega 
Cicatrizes da solidão

Delicadeza em cada gesto
O rodopiar reverbera
Máscara do isolamento
A dominar uma fera

Criatividade é o elemento
A envolver com aconchego
Instrumento de comunicação
Para desconectar o desespero

A melodia segue
O céu surge perfeito
Arrebate invecível
A libertar do medo. 




quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Caderno envelhecido



De um caderno de brochura
Tecer versos com ternura 
Achados lindos a espreitar
O coração a acelerar

São versos soltos ao vento
Desprovidos, despretensiosos
Libertos do necessário
Ansiosos pelo eternizar

Letras, paixões, solidão...
Registro de sobressalto
Toda a desilusão
Fuga do despertar

No embalo da madrugada
Frases se achegam sem clamor
Levam a lugares num torpor
Folhas pautadas a amarelar.

Polyana Pimenta
Natal, 29 de Novembro de 2018. 

sábado, 10 de novembro de 2012

Revirar

Frio
Pensar
Vazio
Esperar

Tardio
Perdoar
Navio
Velejar

Sangrio
Desejar
Macio
Salivar

Sombrio
Olhar
Sorrio
Sonhar

Involuntário
Caminhar
Desnecessário
Pesar


Pavio
Revelar
Solitário
Cogitar.

Natal, 10/11/2012.
Polyana Pimenta.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A Mistura

Encaro mais uma vez
Os olhos no espelho
E vejo o profundo
Verdes desejos

Acho ali elementos
Farinha e até unguentos
Feitiço, poeira
Aroma e doces cerejas

De tudo se vê
Nesse olhar
Mas o difícil mesmo
É se encontrar

Procuro aquele brilho
E ele já não está lá
Aquele sonho
Que  não conseguiu ficar

Aquela vontade
De ganhar o mundo
De amar sem rumo
De se aconchegar

No entanto, lá está um músculo
Enrijecido, entristecido
Sem coragem de pulsar

As sobras
De expectativas e Delírios
Que não se pôde afastar

Mistura de muitos
Num caldeirão vazio
Que conseguiu a tudo abrigar

A esperança, entretanto
Em raros ocasos
se achega de mansinho
Para somente debochar.

Polyana Pimenta.
Natal, 01 de Novembro de 2012.





segunda-feira, 21 de maio de 2012

As velas

Selvagem
É teu rosto
A transpirar
Marcado de amores
Que andam a te assombrar

No peito
Uma dor antiga
Tão amiga
Da qual já não queres mais
Te livrar

Na palma das mãos
O relevo de uma vida
Descama as feridas
Vermelhas, inchadas
De tanto remar

Assim, teu hálito
Aroma de lágrimas
Enlameadas pelas mágoas
Entregues, compulsivas
Constantes a te acompanhar

Passos na calçada
Peso, arrastados
Trazes contigo velas
Um canto, uma aquarela
Um terço para rezar.

Natal, 21 de Maio de 2012.

Polyana Pimenta.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Reconstruir

Polyana Pimenta

Após abrasar
Pacificam-se cinzas
No chão ferido
A se espalhar

Remove-se o véu
De um antigo traje
Amolda-se ao ventre
De uma eterna estrada

Lançada nas profundezas
De um mar revolto
Cede-se à correnteza
Retorna-se ao ponto

Momento de desmistificação
Encontro com a nudez
De um corpo entregue
A momentos de insensatez

Cortes inesperados
Sangramento a conter
A dor então ensina
Que na vida o melhor é viver

E logo nesse retorno
Encontra-se nova construção
Socada com as próprias cinzas
Que se desmanchou no coração.

Natal, 06/09/2011.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Recital de Poesias

Hoje na escola dos meus filhos participei de um recital de poesias. Meu rapaz, com apenas cinco anos de idade,    recitou a poesia de Carlos Drummond de Andrade, No meio do Caminho. Após eu tentei recitar as poesias que havia feito para ele e para Sofia. Entretanto, a voz falhou. Recuperando-me ainda de uma cirurgia de tireóide, entrei para a estatística dos que tiveram alteração nas cordas vocais e estou falando muito, mas muito rouca. Metida que sou, queria falar logo no microfone, imaginem. Foi então que pedi a meu marido para tomar meu lugar e dizer a todos o que minhas crianças significam para mim, sentimentos que estão nas minhas poesias. Meus filhos pra mim são tudo e o recital foi um sucesso. Ao final, a professora de Vítor se emocionou e chorou. Como diz Antoine de Saint Exupèri: "O essencial é invisível aos olhos.". 

Natal, 02 de Maio de 2011.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Poesia do Mar

Polyana Pimenta

Meu filho pediu
Uma poesia de mar
Para à escola
Levar.

O mar e seu azul
são mistério e imensidão
Mas são os peixes e animais marinhos
A sua maior devoção.

Golfinho queria ser
Se um animal do mar
Tivesse que escolher 
Passaria, então, a vida a saltar.

Sabe que a lula
Polvo não é
Assim também
Orca não é baleia sequer.

Sim, Orca
É golfinho
E tubarão é uma fera
Que encanta meu menino.

Esses são os versos
Que dedico à sua Paixão
Pois sei que no mar
Está o seu coração.

Natal, 21/04/2011.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Em meus sonhos...

Polyana Pimenta

Quando adormeço
Sinto o tempo parar
Vejo razão no caminhar
Descanso
E te vejo

Abraços fortes
Perfumes no ar
Deslumbre, pensamento
Calor, Paixão
Desejar

Suspiros, gemidos
Seus beijos
Intimidade segura
Liberdade obscura
Segredos

Passos rápidos
Ao relento
Voando alto
Na direção do vento
Aconchego nas nuvens

Fria e macia
Encantadora e Voraz
À Lua Vazia
A órbita dos sonhos
Lhe atrai

Assim vago imprecisa
Coração a pulsar
Encontrando-te em
Cada esquina
Reluzente a bailar.

Natal, 04/04/2011.

sábado, 13 de novembro de 2010

O que não será revelado

Impublicável
O sentimento rebelado
Impublicável
O desejo ignorado
Impublicável
Essa solidão tão bem acompanhada

Sobejo
Essa é a palavra
Derramada sem medida
Impublicável
Tanta melodia
De uma vida vazia

Impublicável
O inimaginável
Revelado
Sem qualquer pudor
Esgotado
De tanto fugir

Perplexidade
Impublicável
Indesejável
Inacreditável
Feridas
Imperdoável

Vergonha
Sem culpa
Razão insegura
Peito inflado
Impublicável
Tal teatro

Impublicável
É saber assim
Palavra sem força
Intenções disfarçadas
Covardia reforçada
Última vez, enfim.

Natal, 13 de Novembro de 2010.

Polyana Pimenta.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Amor Verdadeiro

Vou escrever hoje sobre o amor romântico, único, pleno e realizado, que é o amor do meu Avô pela minha Avó. Reinaldo Fernades Pimenta Filho, caraubense, como seus filhos, tinha veia poética e gostava muito de escrever. Meu avô, hoje já em outro plano, foi um exemplo de homem, de pai e de cristão como poucos. Minha avó, Gisélia, hoje com 96 anos de idade, teve a benção de casar, àquela época, com quem amou e escolheu para ser seu companheiro por toda a vida. Meu avô morreu nos braços de sua amada, que cuidou dele até o fim com muita dedicação. E ainda jovem, escreveu o soneto que transcrevo a seguir, dedicado à sua esposa e único amor.

PRIMEIRO AMOR

Encontrei-te um dia meiga e pura
Com o teu porte belo e encantador
No teu rosto eu vi tanta candura
Teus olhos tinham um brilho sedutor.

Vendo-te assim com tanta formosura
Tanto encantamento e mágico primor
Senti n'alma, oh! meiga criatura
Toda emoção de um primeiro amor.

E desde então amo-te com toda lealdade,
Em ti depositei a minha felicidade,
E por ti consagro um afeto verdadeiro.

Sem ti não quero viver, oh! querida...
Farei tudo para seres minha toda vida
Porque foste tu o meu amor primeiro.

Reinaldo Fernandes Pimenta Filho.


domingo, 31 de outubro de 2010

Se Eu...

Polyana Pimenta

Despetalando
Minhas lágrimas
Em puro linho
Vou ao chão

Procuro desatino
Pontos brilhantes
Vago sozinho
Na escuridão

Amasso
Meus sentimentos
Engulo palavras
Entranho opinião

Pilo convicções
Navego
Em altas nuvens
Conforto-me em vão

Desertifico
Sem luar
Corro sem cansar
Nem tempo para viver

Se eu já não tenho
Nem os sonhos
Que revelei
Sem saber

Se eu não vejo
Mais o brilho
Que se achegava
Ao amanhecer

Se eu já não adormeço
Ao balanço
Que me fez
Entorpecer

Fecho os olhos
E não me canso
De sonhar
De esquecer

Natal, 31 de Outubro de 2010.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

MAIS QUE PROFUNDO

Polyana Pimenta

Que fazes
Ó dor
Que não te aguento
Lamento
Tormento

Que ira
Mostraste
No meu sonhar
É pulsante
Fervente

Esqueço-te
Não dura
Segundo voraz
Repulsa
Renúncia

Penetra
A alma
E faz esquentar
Entranhas
Silêncio

Aconchego
O inflamado
Beijo soprado
Reflexo
Perplexo

Natal, 25 de Setembro de 2010.


domingo, 8 de agosto de 2010

AMARGAR

Polyana Pimenta

Afasta-se de mim
Imensidão
Desvia-te de uma vez
Do meu viver

Liberta-me, enfim
Do teu resplandecer
Deixa-me o afago
Da solidão

Desencontram-se
Os fiéis desta balança
Espalha-se ao vento
A dor e o fel

Sufoca-me, então
O exalar das horas
Paraliza-me novamente
O pulsar, o silêncio...

Mingue, ó Lua
Escondam-se Estrelas
Achegue-se lentamente
Escuridão

É este o teu poço
Lugar cativo
Coração reprimido
Repleto de desgosto.

Natal, 08/08/2010.