quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Caderno envelhecido



De um caderno de brochura
Tecer versos com ternura 
Achados lindos a espreitar
O coração a acelerar

São versos soltos ao vento
Desprovidos, despretensiosos
Libertos do necessário
Ansiosos pelo eternizar

Letras, paixões, solidão...
Registro de sobressalto
Toda a desilusão
Fuga do despertar

No embalo da madrugada
Frases se achegam sem clamor
Levam a lugares num torpor
Folhas pautadas a amarelar.

Polyana Pimenta
Natal, 29 de Novembro de 2018. 

sábado, 10 de novembro de 2012

Revirar

Frio
Pensar
Vazio
Esperar

Tardio
Perdoar
Navio
Velejar

Sangrio
Desejar
Macio
Salivar

Sombrio
Olhar
Sorrio
Sonhar

Involuntário
Caminhar
Desnecessário
Pesar


Pavio
Revelar
Solitário
Cogitar.

Natal, 10/11/2012.
Polyana Pimenta.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A Mistura

Encaro mais uma vez
Os olhos no espelho
E vejo o profundo
Verdes desejos

Acho ali elementos
Farinha e até unguentos
Feitiço, poeira
Aroma e doces cerejas

De tudo se vê
Nesse olhar
Mas o difícil mesmo
É se encontrar

Procuro aquele brilho
E ele já não está lá
Aquele sonho
Que  não conseguiu ficar

Aquela vontade
De ganhar o mundo
De amar sem rumo
De se aconchegar

No entanto, lá está um músculo
Enrijecido, entristecido
Sem coragem de pulsar

As sobras
De expectativas e Delírios
Que não se pôde afastar

Mistura de muitos
Num caldeirão vazio
Que conseguiu a tudo abrigar

A esperança, entretanto
Em raros ocasos
se achega de mansinho
Para somente debochar.

Polyana Pimenta.
Natal, 01 de Novembro de 2012.





segunda-feira, 21 de maio de 2012

As velas

Selvagem
É teu rosto
A transpirar
Marcado de amores
Que andam a te assombrar

No peito
Uma dor antiga
Tão amiga
Da qual já não queres mais
Te livrar

Na palma das mãos
O relevo de uma vida
Descama as feridas
Vermelhas, inchadas
De tanto remar

Assim, teu hálito
Aroma de lágrimas
Enlameadas pelas mágoas
Entregues, compulsivas
Constantes a te acompanhar

Passos na calçada
Peso, arrastados
Trazes contigo velas
Um canto, uma aquarela
Um terço para rezar.

Natal, 21 de Maio de 2012.

Polyana Pimenta.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Reconstruir

Polyana Pimenta

Após abrasar
Pacificam-se cinzas
No chão ferido
A se espalhar

Remove-se o véu
De um antigo traje
Amolda-se ao ventre
De uma eterna estrada

Lançada nas profundezas
De um mar revolto
Cede-se à correnteza
Retorna-se ao ponto

Momento de desmistificação
Encontro com a nudez
De um corpo entregue
A momentos de insensatez

Cortes inesperados
Sangramento a conter
A dor então ensina
Que na vida o melhor é viver

E logo nesse retorno
Encontra-se nova construção
Socada com as próprias cinzas
Que se desmanchou no coração.

Natal, 06/09/2011.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Recital de Poesias

Hoje na escola dos meus filhos participei de um recital de poesias. Meu rapaz, com apenas cinco anos de idade,    recitou a poesia de Carlos Drummond de Andrade, No meio do Caminho. Após eu tentei recitar as poesias que havia feito para ele e para Sofia. Entretanto, a voz falhou. Recuperando-me ainda de uma cirurgia de tireóide, entrei para a estatística dos que tiveram alteração nas cordas vocais e estou falando muito, mas muito rouca. Metida que sou, queria falar logo no microfone, imaginem. Foi então que pedi a meu marido para tomar meu lugar e dizer a todos o que minhas crianças significam para mim, sentimentos que estão nas minhas poesias. Meus filhos pra mim são tudo e o recital foi um sucesso. Ao final, a professora de Vítor se emocionou e chorou. Como diz Antoine de Saint Exupèri: "O essencial é invisível aos olhos.". 

Natal, 02 de Maio de 2011.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Poesia do Mar

Polyana Pimenta

Meu filho pediu
Uma poesia de mar
Para à escola
Levar.

O mar e seu azul
são mistério e imensidão
Mas são os peixes e animais marinhos
A sua maior devoção.

Golfinho queria ser
Se um animal do mar
Tivesse que escolher 
Passaria, então, a vida a saltar.

Sabe que a lula
Polvo não é
Assim também
Orca não é baleia sequer.

Sim, Orca
É golfinho
E tubarão é uma fera
Que encanta meu menino.

Esses são os versos
Que dedico à sua Paixão
Pois sei que no mar
Está o seu coração.

Natal, 21/04/2011.