domingo, 8 de agosto de 2010

AMARGAR

Polyana Pimenta

Afasta-se de mim
Imensidão
Desvia-te de uma vez
Do meu viver

Liberta-me, enfim
Do teu resplandecer
Deixa-me o afago
Da solidão

Desencontram-se
Os fiéis desta balança
Espalha-se ao vento
A dor e o fel

Sufoca-me, então
O exalar das horas
Paraliza-me novamente
O pulsar, o silêncio...

Mingue, ó Lua
Escondam-se Estrelas
Achegue-se lentamente
Escuridão

É este o teu poço
Lugar cativo
Coração reprimido
Repleto de desgosto.

Natal, 08/08/2010.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

SOFIA

Sonhando
Pela primeira vez te vi
Sonhando
Teu doce nome
Pronunciei

Foi em sonho
Que te conheci
E daquela Noite
Suas feições
Gravei

És suave
Serena
Sorriso
Plano de Deus
No nosso viver

Vidas Passadas
Não sei dizer
Mas promessa
E profecia
É você

Filha amada
Olhar tão claro
Beijos estalados
Cachinhos dourados
Abraço apertado

Ainda na barriga
Seu irmão
A ti cantava
Alecrim dourado
E você se animava

Hoje somos quatro
Um só coração
A pulsar e a amar
A todos
Que amigos são

Sofia
Você é um encanto
No seu aniversário
Muitas bençãos
Pra você eu sonho

Que Jesus
Te proteja sempre
E o amor seja abundante
Que amigos lhe sejam leais
E a felicidade gigante.

Te amo.

Natal, 01 de Julho de 2010.
02 anos de minha Sofia.
Polyana Pimenta.

sábado, 12 de junho de 2010

Saudades

Polyana Pimenta

Não posso viver longe do mar...
Falta-me o cheiro de algas
Emaranhadas nas rochas
O sol soberano a reinar
Areia fofinha a roçar nos meus pés.

A água salgada a me abraçar
O ar suave a me preencher
Peixinhos a brilhar no fundo
Ondas a se agitar ao vento
Não, não posso longe viver...

Faz parte da minha pessoa
Olhar o azul infindo
às vezes verde e até escuro
Parar para o mundo passar
Encontrar e depois perder...

Crianças correm sorrindo
Uma senhora contempla
Um menino
Que pega conchas
Ao entardecer.

E do alto está o morro
Famoso e careca
Pleno em seu trono
Natal e seu encanto
Eu e você...

Natal, 12 de Junho de 2010.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

RENASCER

Polyana Pimenta

Despeço-me
Num vão sorriso
Próprio de quem
Não se permite
Entristecer

Desfaço-me
Como consequência
De vislumbrar
Um raio de sol
No entardecer

Reviro-me
Sem muita resistência
Perfumes antigos
Dor e saudade
Esquecer

Desmancho-me
Numa alquimia perfeita
Metal dourado vira
Pedra fosca
Sem explicar pra quê

Parto-me
Como que em migalhas
Diluídas em uma bebida
Amarga e volátil
Que não se precisa beber

Dispo-me
Mais uma vez
De uma inspiração
Abandono o sonho
Sem mais sofrer

Derramo-me
No rio da vida
Rápido, sem prumo
Margem retraída
Leito a correr

Encontro-me
Ninho, aconchego
Reconstruída
Mulher e ponto
Certa para viver
Natal, 24 de Maio de 2010.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Clarice Lispector

Posto agora uma poesia de Clarice Lispector que de tão espontânea parece falar de um coração de Polyana (rs).

RIFA-SE UM CORAÇÃO (QUASE NOVO)

Clarice Lispector


Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade
está um pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos, e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente
que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado,
coração que acha que Tim Maia estava certo
quando escreveu... "não quero dinheiro,
eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece,
e mantém sempre viva a esperança de ser feliz,
sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações
e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste
em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que,
abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas,
mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado
indicado apenas para quem quer viver intensamente e,
contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida
matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:
" O Senhor poder conferir", eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer".
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro
que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que,
ainda não foi adotado, provavelmente,
por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar, mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário
a publicar seus segredos e, a ter a petulância
de se aventurar como poeta.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Então, a lua

Polyana Pimenta

Hoje a lua veio
De longe
Enorme e
Instigante
Com o brilho dos olhos
De quem ama

A brisa que me envolvia
Encheu-me de encanto
Céu escuro
Lua prateada
Segue-se o pranto

Mas lá está a lua
Formosa a questionar
Por que choras amiga
Se o melhor que fazes
É cantar

Nesse instante
Tenta-se refazer
Uma canção perdida
Solitude repartida
Arrepios ao anoitecer

Olhos fechados
O perfume presente
Gosto, textura
Sentido
Está tudo na mente

Lua, majestosa lua
Só tu a revelar
Que a grandeza
Traz a inspiração certa
Para a alma encharcar.

Natal, 31 de Março de 2010.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

BRILHA MAIS UMA VEZ

Polyana Pimenta
Falta uma flor no meu cantar
Ruas escuras adentro sem perceber
O anoitecer tomou conta
Do meu caminhar

Ando ao relento
Em busca de um sonho
De um perfume ao vento
De um trovejar

Nasce de novo
Sol encantado
Brilha mais uma vez
No meu viver

Encontra seu pouso
Pássaro sem ninho
Fria alvorada
Inverno sem você

Deita em meu colo
Coração ferido
Vem em meus braços
Se balançar

Balanço da vida
Abraço sorrindo
Me faz mais uma vez
No meu cant0 sonhar.

Natal, 25 de Janeiro de 2010.