segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Amor Verdadeiro

Vou escrever hoje sobre o amor romântico, único, pleno e realizado, que é o amor do meu Avô pela minha Avó. Reinaldo Fernades Pimenta Filho, caraubense, como seus filhos, tinha veia poética e gostava muito de escrever. Meu avô, hoje já em outro plano, foi um exemplo de homem, de pai e de cristão como poucos. Minha avó, Gisélia, hoje com 96 anos de idade, teve a benção de casar, àquela época, com quem amou e escolheu para ser seu companheiro por toda a vida. Meu avô morreu nos braços de sua amada, que cuidou dele até o fim com muita dedicação. E ainda jovem, escreveu o soneto que transcrevo a seguir, dedicado à sua esposa e único amor.

PRIMEIRO AMOR

Encontrei-te um dia meiga e pura
Com o teu porte belo e encantador
No teu rosto eu vi tanta candura
Teus olhos tinham um brilho sedutor.

Vendo-te assim com tanta formosura
Tanto encantamento e mágico primor
Senti n'alma, oh! meiga criatura
Toda emoção de um primeiro amor.

E desde então amo-te com toda lealdade,
Em ti depositei a minha felicidade,
E por ti consagro um afeto verdadeiro.

Sem ti não quero viver, oh! querida...
Farei tudo para seres minha toda vida
Porque foste tu o meu amor primeiro.

Reinaldo Fernandes Pimenta Filho.


domingo, 31 de outubro de 2010

Se Eu...

Polyana Pimenta

Despetalando
Minhas lágrimas
Em puro linho
Vou ao chão

Procuro desatino
Pontos brilhantes
Vago sozinho
Na escuridão

Amasso
Meus sentimentos
Engulo palavras
Entranho opinião

Pilo convicções
Navego
Em altas nuvens
Conforto-me em vão

Desertifico
Sem luar
Corro sem cansar
Nem tempo para viver

Se eu já não tenho
Nem os sonhos
Que revelei
Sem saber

Se eu não vejo
Mais o brilho
Que se achegava
Ao amanhecer

Se eu já não adormeço
Ao balanço
Que me fez
Entorpecer

Fecho os olhos
E não me canso
De sonhar
De esquecer

Natal, 31 de Outubro de 2010.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

MAIS QUE PROFUNDO

Polyana Pimenta

Que fazes
Ó dor
Que não te aguento
Lamento
Tormento

Que ira
Mostraste
No meu sonhar
É pulsante
Fervente

Esqueço-te
Não dura
Segundo voraz
Repulsa
Renúncia

Penetra
A alma
E faz esquentar
Entranhas
Silêncio

Aconchego
O inflamado
Beijo soprado
Reflexo
Perplexo

Natal, 25 de Setembro de 2010.


domingo, 8 de agosto de 2010

AMARGAR

Polyana Pimenta

Afasta-se de mim
Imensidão
Desvia-te de uma vez
Do meu viver

Liberta-me, enfim
Do teu resplandecer
Deixa-me o afago
Da solidão

Desencontram-se
Os fiéis desta balança
Espalha-se ao vento
A dor e o fel

Sufoca-me, então
O exalar das horas
Paraliza-me novamente
O pulsar, o silêncio...

Mingue, ó Lua
Escondam-se Estrelas
Achegue-se lentamente
Escuridão

É este o teu poço
Lugar cativo
Coração reprimido
Repleto de desgosto.

Natal, 08/08/2010.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

SOFIA

Sonhando
Pela primeira vez te vi
Sonhando
Teu doce nome
Pronunciei

Foi em sonho
Que te conheci
E daquela Noite
Suas feições
Gravei

És suave
Serena
Sorriso
Plano de Deus
No nosso viver

Vidas Passadas
Não sei dizer
Mas promessa
E profecia
É você

Filha amada
Olhar tão claro
Beijos estalados
Cachinhos dourados
Abraço apertado

Ainda na barriga
Seu irmão
A ti cantava
Alecrim dourado
E você se animava

Hoje somos quatro
Um só coração
A pulsar e a amar
A todos
Que amigos são

Sofia
Você é um encanto
No seu aniversário
Muitas bençãos
Pra você eu sonho

Que Jesus
Te proteja sempre
E o amor seja abundante
Que amigos lhe sejam leais
E a felicidade gigante.

Te amo.

Natal, 01 de Julho de 2010.
02 anos de minha Sofia.
Polyana Pimenta.

sábado, 12 de junho de 2010

Saudades

Polyana Pimenta

Não posso viver longe do mar...
Falta-me o cheiro de algas
Emaranhadas nas rochas
O sol soberano a reinar
Areia fofinha a roçar nos meus pés.

A água salgada a me abraçar
O ar suave a me preencher
Peixinhos a brilhar no fundo
Ondas a se agitar ao vento
Não, não posso longe viver...

Faz parte da minha pessoa
Olhar o azul infindo
às vezes verde e até escuro
Parar para o mundo passar
Encontrar e depois perder...

Crianças correm sorrindo
Uma senhora contempla
Um menino
Que pega conchas
Ao entardecer.

E do alto está o morro
Famoso e careca
Pleno em seu trono
Natal e seu encanto
Eu e você...

Natal, 12 de Junho de 2010.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

RENASCER

Polyana Pimenta

Despeço-me
Num vão sorriso
Próprio de quem
Não se permite
Entristecer

Desfaço-me
Como consequência
De vislumbrar
Um raio de sol
No entardecer

Reviro-me
Sem muita resistência
Perfumes antigos
Dor e saudade
Esquecer

Desmancho-me
Numa alquimia perfeita
Metal dourado vira
Pedra fosca
Sem explicar pra quê

Parto-me
Como que em migalhas
Diluídas em uma bebida
Amarga e volátil
Que não se precisa beber

Dispo-me
Mais uma vez
De uma inspiração
Abandono o sonho
Sem mais sofrer

Derramo-me
No rio da vida
Rápido, sem prumo
Margem retraída
Leito a correr

Encontro-me
Ninho, aconchego
Reconstruída
Mulher e ponto
Certa para viver
Natal, 24 de Maio de 2010.