domingo, 21 de fevereiro de 2021

A causa da briga do sol com o mar

         Vocês sabiam que há muito tempo atrás o sol e o mar eram muito amigos? Querem saber por que eles começaram a brigar? Pois bem, vou contar. 

           Antigamente o sol vivia muito sozinho, não havia ainda passado por um eclipse com a lua, pois não a conhecia e nem muito menos se atraia pela lua. Mas acontece que ele não tinha nenhuma namorada. Assim resolveu passar perto da lua para dar uma olhadinha e ver se ela era tão atraente como diziam. 

              A lua como era muito convencida, achou que poderia namorar com o sol e assim se esquecera que havia marcado um encontro com o mar, no dia em que ele, o mar, teria tomado coragem para pedi-la em casamento. 

            Então o sol percebeu que a lua era muito bonita. Na mesma hora, o mar estava esperando que a lua fosse ao seu encontro. 

           Quando amanheceu, a lua estava descansando, pois passara a noite farreando com o sol. Naquela noite, os habitantes da terra ficaram com medo, pois nunca tinham visto um eclipse. Quando a lua estava muito cansada, lembrou-se que havia marcado um encontro com o mar. 

          Na outra noite, a lua foi de encontro com o mar e ele a pediu em casamento. Claro, a lua aceitou. Sabem como seria? A terra seria a madrinha e marte o padrinho, mercúrio seria o padre, vênus o valete de honra e os demais seriam os convidados. Em sua órbita, não havia necessidade de Igreja. 

            No outro dia...

            O mar falou para o sol: - Sol, irei me casar. Quero que presencie meu casamento. 

            O sol respondeu: - Também quero convidar-lhe para o meu casamento. 

            Novamente o mar: - Claro, respondeu. Com quem será?

            - Com a d. Lua e você? Respondeu o sol. 

            - Seu traidor! Acusou o mar. E jogando uma grande onda tentou apagar o sol. - Como pode trair seu próprio amigo. 

            - Não sabia. Ponderou o sol. E aumentando o calor para promover a evaporação, levou parte da água do mar. - A lua vai se casar comigo. 

            Novamente o mar mostrou outra arma: - Você não poderá se casar com a d. Lua, pois ela não aguentará se chegares perto dela com o seu calor. 

            O sol retribuiu: - Não é lógico você casar com a lua, pois não és tão alto para alcançá-la.

            E assim eles foram brigando... Ficaram com tanta raiva que até hoje ainda brigam. Por isso que o mar produz aquelas ondas imensas procurando apagar o sol. E o sol faz evaporar as águas do mar tentando secá-lo. 

            Quando o sol tem muita água, forma-se as nuvens e chove. Quando tem demais, formam-se as tempestades. 

               A lua ficou sozinha e provocou uma briga eterna. 



Texto escrito aos 11 anos. 

Polyana Pimenta.            

        

SEM MEDIDA

 

Fugindo da Métrica devida

Passei a vida plena a bailar

Curiosa acerca da regra

Sem querer de fato me aproximar

 

Criar trêfegos versos sem medir

Espalha-se a maior vocação

As palavras paridas sem contas

Brindam a fluente inspiração

 

Persegui lépida a rima tocar

Rigidez agoniada a entoar

Indolente medida enfim insuflada

 

Descortina-se então possível e distante

Encontrar as rimas planejadas

Palavras contidas então confessadas.


Polyana Pimenta

Natal, 20/02/2021

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Uma Orquídea

 

    Em meados de setembro

    Com perfumes e cores

    Na explosão da primavera

    Nascem lindas as flores

     

    Única em sua presença

    Vive em quase qualquer lugar

    Mas o gelo e a frieza

    Não consegue habitar

 

    De uma ternura resplandescente

    Os galhos e troncos envolve

    Se enche de vigor e cores

    E as rosas devolve

 

    É essa uma orquídea 

    Sensível, exuberante e rara

    Transforma a aridez onde vive

    Numa floresta encantada.

 

    Natal, 10 de Setembro de 2020.

 

    Poema escrito para presentear a amiga Ieda, a qual faz aniversário na chegada da primavera.


quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Ruínas

 Construo um coração novo

 Sobre as ruínas de um amor antigo

 E esse amor bem escondido

 Vai continuar em meu coração


 Saí na chuva

 Entreguei-me ao vento

 Mas só silêncio 

 Pude encontrar


 Abafei o sentimento

 Busquei um novo aconchego

 Mas o sossego 

 Não pude achar


Quanto mais me negava

Mais a paixão ardia

Sem querer eu cedia

E voltava a te lembrar


 Encontrei a solidão

 Chorei por não me livrar dela

 Foi então que cheguei-me à janela

 E pude observar


 As pessoas são tão paranoicas

 Não cabe a elas julgar

 Se tudo o que queremos é amar

 E encontrar felicidade


 E que embora não admitam

 Que eu ainda consiga te amar assim

 Sei que isso só diz respeito a mim

 E a mais ninguém


 Além do mais

 Melhor do que lutar contra mim mesma

 É ter a certeza

 Que embora te amando


 Posso amar mais alguém

 Pois já não mais me perturba

 A sua ausência escura

 Pois você brilha em meu coração


Natal 05-94

Polyana Pimenta

 

terça-feira, 14 de julho de 2020

Sentir o mundo

        Em 1991, numa quarta-feira, no dia 16 do mês primeiro, já era 21:40 quando meu diário me viu muito aflita a escrever sobre uma guerra que começava.  Escrevi com muita emoção e, quando fui ler recentemente, me impactei com o que havia escrito. A empatia com os povos sempre me arrebatou. 
         Àquela época eu tinha 16 anos e já encarava as notícias com muita preocupação.
       Vivendo esse tempo de isolamento social, cercados por uma Pandemia ainda sem previsão de fim, confinada em casa com minha família, transborda saudades de tudo e de todos. Ando nostálgica e saudosista, tendo revisitados meus escritos antigos, ocasião em que me deparei com esse escrito no meu diário. 
           Passo a transcrever. 

             "16-01-1991

Quarta-feira
  21:40

        O que se esperava aconteceu.
        Começou o bombardeio no Iraque e Kwait. 
        Era 3:00 da madrugada e muitos lá deviam estar dormindo.
        Os EUA atacaram no escuro. Eles contam com um grande trunfo: a tecnologia. 
        Lá no deserto está havendo - como falam - A Tempestade. Fizeram chover bombas.
        Nessa tensão toda, passa um avião aqui e meu coração ficou elétrico. 
       Estou muito abalada. Sem dúvida nunca vou me esquecer do que aconteceu hoje. De repente eu estou no quarto de meus pais e interrompem a novela para um plantão. Não pensava que fosse o começo de uma guerra. Estava acostumada a plantões só darem notícias de acordos e negociações. Mas, dessa vez foi diferente. Foi uma frase de impacto:
          `Começa o bombardeio no Iraque, em Bagdá.´
          Foi como se tivessem chegado para mim e dito friamente que um parente meu tinha morrido.
         Mais tarde a TV transmite a ligação de um repórter americano que se encontra no Iraque e os sons da guerra. HORRÍVEL.
          Ainda não acredito. Parece um filme. Talvez um dia essa guerra fará apenas parte da História, mas bem que eu gostaria que se voltasse atrás. Pois, hoje provavelmente acabaram-se as esperanças de alguns homens. ".

             Como esse dia que eu relatei, onde a guerra venceu paz, certamente "nunca vou me esquecer" desses últimos dias, onde a humanidade ficou de joelhos por um ente microscópico que sequer é ser vivo. 
             Tempo em que a humanidade foi chamada a compreender que o que afeta o irmão também me toca. 
           Destaco que ainda sinto "como se fosse um parente" mesmo que a tragédia seja em distantes locais do mundo e com pessoas desconhecidas. Somos uma irmandade, a humanidade. 
             Não podemos deixar os fatos como "apenas parte da História", precisamos aprender com eles, evoluir, desenvolver amor e empatia. 
             Por fim, estamos num momento que também "Parece um filme", não podemos nos acostumar com o fim das "esperanças de alguns homens". A dor do outro importa.  

Polyana Pimenta
        

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Expansão em Fluidez

Polyana Pimenta

A vibração inquieta
O momento é de limite
Quadrado o espaço
Inspiração num clique

Balanço de uma rede
Danço no mesmo luar
Pelúcias são plateia
As ideias a fervilhar

Displicência ao desviar
Dos móveis e batentes
Giro no mesmo eixo
Só não se pode parar

Numa bolha contida
Alargo a emoção
A fluidez se achega 
Cicatrizes da solidão

Delicadeza em cada gesto
O rodopiar reverbera
Máscara do isolamento
A dominar uma fera

Criatividade é o elemento
A envolver com aconchego
Instrumento de comunicação
Para desconectar o desespero

A melodia segue
O céu surge perfeito
Arrebate invecível
A libertar do medo. 




quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Caderno envelhecido



De um caderno de brochura
Tecer versos com ternura 
Achados lindos a espreitar
O coração a acelerar

São versos soltos ao vento
Desprovidos, despretensiosos
Libertos do necessário
Ansiosos pelo eternizar

Letras, paixões, solidão...
Registro de sobressalto
Toda a desilusão
Fuga do despertar

No embalo da madrugada
Frases se achegam sem clamor
Levam a lugares num torpor
Folhas pautadas a amarelar.

Polyana Pimenta
Natal, 29 de Novembro de 2018.