terça-feira, 27 de abril de 2010

Clarice Lispector

Posto agora uma poesia de Clarice Lispector que de tão espontânea parece falar de um coração de Polyana (rs).

RIFA-SE UM CORAÇÃO (QUASE NOVO)

Clarice Lispector


Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade
está um pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos, e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente
que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado,
coração que acha que Tim Maia estava certo
quando escreveu... "não quero dinheiro,
eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece,
e mantém sempre viva a esperança de ser feliz,
sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações
e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste
em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que,
abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas,
mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado
indicado apenas para quem quer viver intensamente e,
contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida
matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:
" O Senhor poder conferir", eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer".
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro
que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que,
ainda não foi adotado, provavelmente,
por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar, mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário
a publicar seus segredos e, a ter a petulância
de se aventurar como poeta.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Então, a lua

Polyana Pimenta

Hoje a lua veio
De longe
Enorme e
Instigante
Com o brilho dos olhos
De quem ama

A brisa que me envolvia
Encheu-me de encanto
Céu escuro
Lua prateada
Segue-se o pranto

Mas lá está a lua
Formosa a questionar
Por que choras amiga
Se o melhor que fazes
É cantar

Nesse instante
Tenta-se refazer
Uma canção perdida
Solitude repartida
Arrepios ao anoitecer

Olhos fechados
O perfume presente
Gosto, textura
Sentido
Está tudo na mente

Lua, majestosa lua
Só tu a revelar
Que a grandeza
Traz a inspiração certa
Para a alma encharcar.

Natal, 31 de Março de 2010.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

BRILHA MAIS UMA VEZ

Polyana Pimenta
Falta uma flor no meu cantar
Ruas escuras adentro sem perceber
O anoitecer tomou conta
Do meu caminhar

Ando ao relento
Em busca de um sonho
De um perfume ao vento
De um trovejar

Nasce de novo
Sol encantado
Brilha mais uma vez
No meu viver

Encontra seu pouso
Pássaro sem ninho
Fria alvorada
Inverno sem você

Deita em meu colo
Coração ferido
Vem em meus braços
Se balançar

Balanço da vida
Abraço sorrindo
Me faz mais uma vez
No meu cant0 sonhar.

Natal, 25 de Janeiro de 2010.

REVELAR

Polyana Pimenta




Desbravar

Uma mata fechada

Índia guerreira

Xamã

Feiticeira



Nela

Perigos e encantos

Alegrias

Desafios

Recantos



Coração gélido

Leveza

Firmeza

Represa

Estrada



Seguir

Correr

Arfar

Caçar

Entardecer



Cabelos longos

Soltos

Despido

Olhar profundo

Arisco



A covardia

Não conhece

E se lança

Ao encontro

Do que se tece



Uma vez

O passado

Longe, turvo

Parte em retirada

Ao obscuro



Força

Caminhar

Inspiração

Sonhos

Acordar



Estrela

sua guia

O chão para tocar

A lua

única companhia


Destino

Incerto

Sorriso

Repleto

Momento de Paz.



Natal, 24 de Janeiro de 2010.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Saudade é sentir falta de alguém...

Esses dias, meu filho, Vítor, reclamava que estava com saudades do seu amigo Ígor. Dizia que estava "com muita, mas muita saudade". Eu ponderei com ele que Saudade era uma coisa boa, já que quando víamos quem estávamos a sentir saudade a felicidade era imensa. Ele não hesitou em me contestar: "Não, mamãe, saudade é uma coisa muito ruim. Porque saudade é sentir falta de alguém." Meu filho tem apenas quatro anos de idade e achei linda a definição que ele deu de saudade, embora não inédita. Demonstra um senso apurado de sentimento para uma pessoinha que ainda está tentando entender coisas palpáveis e mais fáceis de compreender. Acho que meu filho vai gostar de poesias...
Natal, 11 de Dezembro de 2009.
Polyana Pimenta.

sábado, 18 de julho de 2009

Amor

Polyana Pimenta
Corrente

Coesa
Certeza
Leveza
Beleza
Surpresa
Inteireza
Fortaleza

Retidão
Compaixão
Imensidão
união
Razão
Vazão
Coração

Confiança
Esperança
Criança
Bonança
Perseverança

Clarividência
Sapiência
Constância
Paciência
Essência

Cor
Calor
Destemor
Resplendor
Amor

Intimidade
Graciosidade
Felicidade...

Natal, 18 de Julho de 2009.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

CORES

Flores há
Em seu caminhar
Pois somente as flores
Lhe fazem sonhar

Caminho aberto
De cores e desejos
Alegria, euforia
Vermelho

Viva, Vida!
Liberdade desejada
Incerteza bem-vinda
Solidão apreciada

Sequer importa
Se planos serão refeitos
O momento é do improviso
Dos versos perfeitos

Rimas com sentimento
Em linhas de cordel
Cantas o oceano, o infinito
As estrelas e o céu

Em Kairós, ao final
Eu tinha que falar
O Deus do tempo oportuno
Que se empenha em te ensinar.

Natal, 22/05/2009.

Polyana Pimenta.