quinta-feira, 21 de maio de 2020

Expansão em Fluidez

Polyana Pimenta

A vibração inquieta
O momento é de limite
Quadrado o espaço
Inspiração num clique

Balanço de uma rede
Danço no mesmo luar
Pelúcias são plateia
As ideias a fervilhar

Displicência ao desviar
Dos móveis e batentes
Giro no mesmo eixo
Só não se pode parar

Numa bolha contida
Alargo a emoção
A fluidez se achega 
Cicatrizes da solidão

Delicadeza em cada gesto
O rodopiar reverbera
Máscara do isolamento
A dominar uma fera

Criatividade é o elemento
A envolver com aconchego
Instrumento de comunicação
Para desconectar o desespero

A melodia segue
O céu surge perfeito
Arrebate invecível
A libertar do medo. 




quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Caderno envelhecido



De um caderno de brochura
Tecer versos com ternura 
Achados lindos a espreitar
O coração a acelerar

São versos soltos ao vento
Desprovidos, despretensiosos
Libertos do necessário
Ansiosos pelo eternizar

Letras, paixões, solidão...
Registro de sobressalto
Toda a desilusão
Fuga do despertar

No embalo da madrugada
Frases se achegam sem clamor
Levam a lugares num torpor
Folhas pautadas a amarelar.

Polyana Pimenta
Natal, 29 de Novembro de 2018. 

sábado, 10 de novembro de 2012

Revirar

Frio
Pensar
Vazio
Esperar

Tardio
Perdoar
Navio
Velejar

Sangrio
Desejar
Macio
Salivar

Sombrio
Olhar
Sorrio
Sonhar

Involuntário
Caminhar
Desnecessário
Pesar


Pavio
Revelar
Solitário
Cogitar.

Natal, 10/11/2012.
Polyana Pimenta.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A Mistura

Encaro mais uma vez
Os olhos no espelho
E vejo o profundo
Verdes desejos

Acho ali elementos
Farinha e até unguentos
Feitiço, poeira
Aroma e doces cerejas

De tudo se vê
Nesse olhar
Mas o difícil mesmo
É se encontrar

Procuro aquele brilho
E ele já não está lá
Aquele sonho
Que  não conseguiu ficar

Aquela vontade
De ganhar o mundo
De amar sem rumo
De se aconchegar

No entanto, lá está um músculo
Enrijecido, entristecido
Sem coragem de pulsar

As sobras
De expectativas e Delírios
Que não se pôde afastar

Mistura de muitos
Num caldeirão vazio
Que conseguiu a tudo abrigar

A esperança, entretanto
Em raros ocasos
se achega de mansinho
Para somente debochar.

Polyana Pimenta.
Natal, 01 de Novembro de 2012.





segunda-feira, 21 de maio de 2012

As velas

Selvagem
É teu rosto
A transpirar
Marcado de amores
Que andam a te assombrar

No peito
Uma dor antiga
Tão amiga
Da qual já não queres mais
Te livrar

Na palma das mãos
O relevo de uma vida
Descama as feridas
Vermelhas, inchadas
De tanto remar

Assim, teu hálito
Aroma de lágrimas
Enlameadas pelas mágoas
Entregues, compulsivas
Constantes a te acompanhar

Passos na calçada
Peso, arrastados
Trazes contigo velas
Um canto, uma aquarela
Um terço para rezar.

Natal, 21 de Maio de 2012.

Polyana Pimenta.